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Crônica Sobre um Dia no Museu do Videogame Itinerante

A nostalgia bate, junto a ela perpassa uma melancolia, mas saber que participei dessa história ajuda a curar um tempo que não volta.

Foto: Divulgação/Museu do Videogame


Minha cidade (Vila Velha) ou mesmo a capital do meu estado (Vitória, Espírito Santo) não tem o costume de sediar eventos e festivais de peso. Se me lembro bem, um dos grandes eventos que aconteceram aqui e que tive a oportunidade de presenciar foi o Tim Festival, por volta de 2007. Nessa ocasião, pude contemplar um show da banda The National, e olha que isso foi no Teatro da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Um lugar não tão espaçoso, porém como a banda nem era tão conhecida ainda, o público foi bem pequeno.


Antes de Julho começar, recebo a notícia de que o Museu do Videogame Itinerante estaria num dos Shoppings da minha cidade, entre os dias 01 e 16 do referido mês. Praticamente duas semanas. Nem poderia dar desculpas, apesar de eu ser uma pessoa adepta do estilo caseiro e multidões geralmente não me agradam. Entretanto, tive aquele velho pensamento clichê causado pelas oportunidades que surgem em nossas vidas: ‘se eu não for agora, quando terei outra chance?' Além do mais, cresci entre videogames, sempre procurei saber mais deles, apesar de nunca ter virado um expert por completo no assunto.



No sábado de tarde (dia 15) estava eu lá para prestigiar o evento. Antes, optei por passar em algumas lojas pois havia uma década que não entrava nesse Shopping. Como no passado era um verdadeiro rato de lojas de discos e de jogos, o passeio acabou sendo rápido de realizar. Com muitas lojas fechadas, são poucas as que se mantiveram abertas e dentro das minhas preferidas, quase nada resistiu ao tempo.


Voltamos então ao Museu. Com 300 a 350 consoles dispostos em estandes, é necessário que a pessoa percorra um bom espaço. Isso porque você sempre encontra algum console que antes não havia notado. E, no meu caso, sou um esfomeado por informações, isso inclui até a cultura de verniz. Em cada console, uma plaquinha com um texto bem resumido, embora apresentando uma linguagem simples e muitas vezes até humorada contando a história daquele objeto.



E nessa visita, vemos de tudo. Desde o pioneiro Magnavox Odyssey lançado pelo engenheiro alemão Ralph Baer em 1972 chegando aos atuais e potentes da nova geração como PS5 e Xbox Series X, o entusiasta pela história dos videogames não se sentirá decepcionado.

Claro que existem os queridos clássicos como Super NES, Mega Drive, Sega Saturn, Atari 2600 e Neo Geo. Todavia, encontrar alguns que nunca imaginaria existir foi a cereja do bolo. E eu lá, tentando ler o texto de quase todos (com certeza muitos visitantes nem se preocuparam com essa informação escrita). Até mesmo quem doou alguns consoles raros recebem merecidamente uma citação.



Embora existam muitas variações do Atari 2600, por exemplo, é interessante ver como alguns chegavam ao mercado para o consumidor (e isso implicava até uma maleta fechada que nos fazia parecer um 007). Outros vinham com pistolas e bazucas, certamente nem poderiam ser comercializados hoje em dia para não incentivar o uso de armas.



Desde há muito tempo existia uma luva que emulava a realidade virtual e muitos consoles pareciam mais com um computador gigante do que propriamente com um videogame (e olha que sequer vinham com mais de 10 jogos). Muitos não aguentaram muito tempo no mercado, alguns nem venderam direito e outros conseguiram resistir ao tempo (como a família Playstation e Xbox).


Depois de circular por 3 vezes os estandes, ainda não tinha visto o 3DO, da Panasonic. Tenho um carinho por esse videogame, pois relembra uma época boa de minha vida e foi um videogame que comprei junto com meu irmão (hoje em dia, falecido). Aliás, um ótimo console, pena não ter investido muito em jogos. Com tanta gente no evento, difícil pedir alguma informação dos organizadores. Até que encontrei o dito cujo, com todos os seus modelos que foram lançados. Felicidade e nostalgia incendiaram meu espírito ao mesmo tempo.


Depois das 15 horas, os organizadores abrem uma espécie de arena gigante com máquinas simulando fliperamas. Os consoles mais novos estão inseridos nelas e com isso, o público pode disputar partidas com amigos e familiares. Lembrando que tudo é gratuito e pode tirar fotos à vontade.

Também existem monitores com alguns videogames antigos mais famosos. Aproveitei para jogar uma fase de Gex, no 3DO mesmo (lembrando que a trilogia do querido lagarto vai sair para os consoles atuais em breve).


Tentei jogar um pouco de River Raid do Atari 2600, mas era difícil encontrar o controle disponível. Interessante como esse clássico jogo ainda mexe com os jogadores (mesmo da nova geração). Nem pensar conseguir uma brecha para jogar uma partida de Street Fighter ou então de Gran Turismo 7 usando o óculos VR.


Para quem gosta mais de exercitar o corpo e/ou dançar (o que não é o meu caso), o evento também tinha um palco em que jogadores podiam participar de danças virtuais no jogo Just Dance. Certamente um dos momentos preferidos do evento, inclusive pelas garotas que estava presentes. Destaque vai para um rapaz vestido de Homem-Aranha que dançou muito bem e não errou sequer um passo.



Sim, não faltou aquele pessoal que adora um cosplay. Uma menina veio vestida de Caça-Fantasmas e um homem, na minha frente, trajava o famoso uniforme do policial Leon de Resident Evil 2. Também tinham alguns personagens de Anime e da Cultura Pop em geral (como a Arlequina).


De qualquer forma, foi bonito ver pais da minha idade jogando com seus filhos e revivendo o poder que um bom jogo pode proporcionar. A geração que cresceu praticamente no Atari junto à geração atual que tem acesso à tecnologia de agora. Uma paixão que une o retrô e a modernidade sem contradições (e vice-versa).

Satisfeito, fui embora com a missão cumprida de saciar minha sede de conhecimento. A nostalgia bate, junto a ela perpassa uma melancolia, mas saber que participei dessa história ajuda a curar um tempo que não volta e que agora, precisa ser absorvido e aproveitado da mesma forma.



Caso o Museu passe por sua cidade, tire um tempinho e confira. Leve um amigo, seu filho ou seus pais. Será uma reunião de muita curiosidade, história, memórias, risos, jogatinas e do prazer que esses objetos passaram através das gerações.


Para saber mais sobre o evento e sobre as próximas cidades que ele passará, acesse a página do Instagram


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