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Com muita energia e herança legítima do Punk, Social Lubrication testa o poder sonoro do Dream Wife

A vocalista, que é islandesa, alterna entre vocais pueris e clamorosos, garantindo um dos destaques do álbum.

Foto: Sophie Webster


Talvez algumas pessoas nunca ouviram algo de Sleater-Kinney, The Slits e Bikini Kill. Entretanto, o que essas três bandas teriam em comum? São lideradas por cantoras, seguem lealmente a herança do Punk/Rock e executam uma sonoridade enérgica sustentada por um instrumental poderoso e cru.


Impregnadas pelo espírito DIY (Do It Yourself), tais bandas, junto a outras omitidas aqui para não prolongar o texto, são responsáveis por influenciar toda uma geração musical que viria depois, sobretudo após a década 90’s.



Grupos como Elastica, Mermaidens e Savages chegariam com impacto total mostrando que a força do Punk/Rock do passado nas mãos de mulheres não era modismo. Algo maior estava por acontecer, sobretudo com as facilidades tecnológicas colaboradoras de uma maior aproximação e curiosidade do ouvinte por bandas novas, a propósito dos serviços de streaming como o Spotify.


Nessa leva, temos o grupo inglês Dream Wife, surgido em 2014. Em 2018, era lançado o interessante e vigoroso début homônimo. Dois anos depois, chegava “So When You Gonna”, mostrando as integrantes com vontade de mudar certas características sonoras, abrindo espaço para algumas faixas menos pesadas e mais fáceis de assimilar. Inclusive, naquele ano, o álbum chegou a figurar entre os 20 mais ouvidos dentro da Inglaterra.



Infelizmente, o segundo disco não pode ser tão promovido como o grupo desejava por conta da pandemia do Covid-19. “Social Lubrication”, o terceiro e mais recente trabalho, chega para reafirmar a potência sonora do trio que conhecemos cinco anos atrás.


Apesar de algum esboço no disco anterior de algo mais suavizado, dificilmente o trio desligará de suas raízes e influências por completo. Logo na incisiva faixa de abertura, ‘Kick In The Teeth’, o nocaute chega instantâneo. Canção ágil e no tradicional molde Rock, sem firulas.

Outra característica marcante do grupo são as letras humoradas e irônicas. Retratando os obstáculos que a mulher ainda encontra na sociedade ou então, um manifesto para criticar a mulher-objeto inferiorizada pelo homem. Caso da vibrante ‘Leech’ onde Rakel Mjöll canta: ‘Ya boys gonna let the girls play/Or are they merely ornaments on display?/Did you accomplish something extraordinary?/Are you extraordinary? Is anyone?/Or another leech?’



A vocalista, que é islandesa, alterna entre vocais pueris e clamorosos, garantindo um dos destaques do álbum. A voz de Rakel cresce junto com a densa parede de instrumentos num ritmo vertiginoso, sobretudo em faixas como ‘Social Lubrication’ e ‘Who Do You Wanna Be?’.


‘Honestly’, a faixa menos pesada do álbum, chega com vocais brandos e guitarras dedilhadas, embora a linha de baixo seja bem marcante. De qualquer forma, seria quase uma tentativa de encontro da banda com o Dream-Pop. ‘Curious’, também com um clima comportado, é um Guitar Pop contagiante enviesado por uma melodia grudenta.


Essas duas canções citadas anteriormente possibilitam mudanças do Dream Wife para o futuro sem tirar por completo a estrutura que o grupo construiu. Que o trio continue inspirado no próximo trabalho, não importando pelo que decidir.

 

Social Lubrication

Dream Wife


Lançamento: 9 de junho de 2023

Gênero: Rock Alternativo, Indie Rock

Ouça: "Social Lubrication", "Who Do You Wanna Be?", "Curious"

Humor: Rebelde, Excitante, Catártico


 

NOTA DO CRÍTICO: 7,0

 

Veja o vídeo oficial de ‘Social Lubrication’:


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