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Cinco livros que mudaram minha visão sobre alguns assuntos importante da vida

Atualizado: 23 de abr. de 2023

Espero que gostem e que a vontade de lê-los seja aguçada.

Imagem Montagem.


Dia Mundial do Livro, aproveito para fazer a indicação de alguns clássicos da literatura que fizeram eu repensar sobre temas importantes e mudaram minha postura frente a determinados assuntos. Espero que gostem e que a vontade de lê-los seja aguçada.


Meio Sol AMarelo, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.


A colonização, o neoliberalismo, a neocolonização e o eurocentrismo são alguns dos fatores que fazem com que o pouco que sabemos sobre o continente africano seja embasado em estereótipos colocados no mesmo balaio sem pensar ou tentar entender a diversidade e diferença de cada país e a história deles. Neste livro, a renomada escritora narra a guerra civil da Nigéria através da história do garoto Ugwu, o casal Olanna e Odenigbo e outros personagens tão complexos quanto interessantes. A partir da leitura é possível ter uma visão dos acontecimentos africanos pelo olhar de uma africana e de personagens que não retratam apenas nigerianos típicos, mas a profundidade psicológica de uma pessoa que vive em um estado governamental dividido em disputas com fortes influências e domínios internacionais. Não há julgamento entre o certo ou errado na ação das personagens. Há os acontecimentos se desenrolando e cada um lidando com eles da forma que se é possível. Além de ser um texto épico, narrando a história real da guerra civil nigeriana através da vida de personagens ficctícios, temos ainda a visão de uma escritora feminista, o que traz uma qualidade a mais para a leitura.


“Tia Ieka voltou a revisar a pasta, e a ideia que Olanna fazia do casamento dos dois começou a desmoronar.

‘Você nunca deveria se comportar como se a sua vida pertencesse a um homem. Ouviu bem?’, disse tia Ifeka, ‘A sua vida pertence a você e só a você, soso gi. Você vai voltar no sábado. Agora, se me dá licença, preciso preparar abacha para você levar.’

Experimentou um pouco da pasta e cuspiu.”




Nada de Novo no Front, de Erich M. Remarque


Ainda na temática da guerra, esse livro merece uma resenha a parte, que espero escrever em breve. Por ora,indico como um marcador de mudança de visão sobre guerras. O autor narra com preciosos detalhes o que é uma guerra, no contexto da I Guerra Mundial.. Não aquela noticiada na televisão, rádios e jornais, mas a guerra no front, no cotidiano, na vida de soldados e na visão destes. O autor desmascara a visão romântica e heróica da guerra para escancarar sua truculência e perversidade com base em suas próprias experiências no Exército Imperial Alemão.



“Um teto todo seu” , da escritora inglesa Virgínia Woolf


O que é preciso para que uma mulher possa ser escritora? Neste ensaio a autora analisa a ausência das mulheres na literatura, faz diversas referências históricas e responde: é preciso que uma mulher tenha um lugar só seu, sem que filhos e/ou marido estejam sempre colocando a em submissão aos serviços domésticos e é preciso que tenha independência financeira. A par da dificuldade em se obter essas condições, Woolf cita casos de mulheres escritoras que, em melhores condições sociais teriam sido grandes referências literárias. Esse livro é essencial para todas as mulheres que escrevem ou desejam incentivar a linguagem da mulher na literatura.


“Agora eu acredito que essa poeta que nunca escreveu uma palavra e foi enterrada no cruzamento, ainda vive. Ela vive em vocês e em mim, e em muitas outras mulheres que não estão aqui essa noite, pois elas estão lavando os pratos e colocando as crianças para dormir. Mas ela vive, pois grandes poetas nunca morrem. Elas prolongam sua presença, elas precisam apenas da oportunidade de caminhar entre nós na pele. Essa oportunidade, como eu vejo, está agora em nosso poder lhe conceder.”



Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro.


O consagrado livro do autor brasileiro é uma narrativa real em meio a personagens fictícios. Partindo do século XV até o século XIX o autor revela momentos importantes da história do Brasil através da vivência de diversos e diferentes personagens. Escravizadas que sofrem constantes abusos sexuais, homens brancos tirando vantagens comerciais, descendentes de pretos alterando suas origem com auxílio de diversas instituições nacionais corruptas, como a Igreja Católica e o ex escravizado que tenta se dar bem e ganhar a vida para ter ao menos o que comer. A descrição de rituais religiosos de matriz africana é encantadora e se faz necessária pelo contexto em que é dado. Os pormenores das corrupções brasileiras mostram como a prática foi enraizada na nossa história, fez cultura e é se tornou comum aos dias de hoje. Com passagens cômicas e outras fortemente dramáticas, o livro é uma importante leitura sobre o Brasil. A seguir, a fala de um dos personagens do livro, sobre o povo brasileiro:


“O nosso povo é um de nós, ou seja, um como os próprios europeus. As classes trabalhadoras não podem passar disso, não serão jamais povo. Povo é raça, é cultura, é civilização, é afirmação, é nacionalidade, não é rebotalho dessa nacionalidade. Mesmo depuradas, como prevejo, as classes trabalhadoras não serão jamais o povo brasileiro, eis que esse povo será representado pela classe dirigente, única que realmente faz jus aos foros de civilização e cultura nos molde superiores europeus - pois quem somos nós senão europeus transplantados?”




Quarto de Despejo, da escritora nacional Carolina Maria de Jesus.


Sem ler esse livro não é possível entender o que é a fome no Brasil. A fome de comida, de vida, de dignidade, de prazeres. Fome de ser gente. Em seu diário, Carolina Maria de Jesus, mulher preta da favela, descrevia seu dia a dia catando lixo para alimentar a ela e seus dois filhos. Com uma visão profunda sobre a vida e consciência sobre sua situação, Carolina narra e analisa os fatos e entende que a favela é o quarto de despejo da cidade. Ninguém quer ir lá, ninguém quer ver, ninguém quer arrumar. Esse livro é importante para a formação cidadã de todas as pessoas. Não para gerar empatia, mas para entender a fome como um problema social que exige uma solução política a nível nacional.


"Eu tenho tanta dó dos meus filhos. Quando eles vêem as coisas de comer eles bradam: Viva a mamãe. A manifestação me agrada. Mas eu já perdi o hábito de sorrir. Dez minutos depois eles querem mais comida. Eu mandei o João pedir um pouquinho de gordura pra Dona Ida. Ela não tinha. (...)

Eu estava com dois cruzeiros. Pretendia comprar um pouco de farinha para fazer um virado. Fui pedir um pouco de banha a dona Alice. Ela me deu a banha e arroz. Era 9 horas da noite quando comemos.

E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual, a fome!"


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