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'Black Radio III', novo disco de Robert Glasper, um misto de união artística e contraste musical

Atualizado: 19 de set. de 2022

"Black Radio III" faz parte de uma sonoridade continuada de "Black Radio" e "Black Radio II", só que diferente, dos dois álbuns anteriores, esse poderia ter sido mais impactante

O pianista americano de jazz Robert Glasper Foto: Mathieu Bitton / Divulgação

Robert Glasper é um dos grandes nomes do Jazz Contemporâneo, ao unir ao seu estilo, gêneros como Hip Hop, R&B, Soul e Funk. Com a companhia de seu piano atmosférico, o músico consegue criar boas atmosferas. Isso muito bem percebidos nos elogiados “Black Radio” de 2012 e “Black Radio II” de 2013, e agora essas ótimas referências estão de volta em “Black Radio III” seu grande lançamento para 2022.



Dando continuidade na sonoridade que reforça o “abraço” na cultura negra estadunidense com seus gêneros musicais, o disco conta com muitas participações especiais como Esperanza Spalding, considerada por muitos como a melhor contrabaixista de Jazz Contemporâneo, o rapper Q-Tip líder do notável grupo A Tribe Called Quest, Gregory Porter uma das grandes vozes masculinas do Jazz Contemporâneo, Lalah Hathaway uma grande representante do Soul com sua bela voz, a moça é filha do lendário músico Donny Hathaway, Jennifer Hudson que se configura como um dos grandes nomes da cultura negra estadunidense, seja como cantora ou atriz; Tiffany Gouché também aparece com sua sonoridade R&B poética e muitos outros nomes que reforçam bem essa união de gêneros e gerações de artistas negros dos Estados Unidos.


O disco possui 13 faixas. Com exceção da faixa número 8 que é um cover da clássica “Everybody Wants to Rule the World” do Tears For Fears, as demais músicas são compostas por Robert Glasper com parceiros, as canções de durações longas, proporciona ao ouvinte uma ótima viagem sonora.

“Why We Speak” marca um encontro de Glasper com Esperanza Spalding e Q-Tip em uma sonoridade que leva o ouvinte a uma Fusion bem suave e funkeada com muito suingue. “Shine” possui a participação de Tiffany Gouché e D Smoke, aqui temos um Jazz envolvido em um R&B com elementos de Hip Hop bem cativantes. “Black Superhero” apresenta um som bem intimista, com uma letra que remete as memórias, a faixa é levada pelos vocais de Killer Mike, BJ the Chicago Kid e Big K. R. I. T. que dão um tom que lembra o som de 'To Pimp a Butterfly' o terceiro disco de estúdio do Kendrick Lamar.


”Everybody Wants to Rule the World” é um sensível e apoteótico cover da música dos Tears For Fears que ganhou uma sonoridade encorpada ao Jazz, com a potente voz do Soul de Lalah Hathaway e o grave Rap de Common, com batidas bem feitas. “It Don't Matter” junta bem Glasper com Gregory Porter e Ledisi em som bem suave com toques bem românticos elevados nas suas vozes. “Out of My Hands” uma sonoridade que lembra Diana Ross, Beyoncé e Whitney Houston, num encontro memorável entre o Jazz e a Disco Music.


'Black Radio III' é um disco muito bom, porém, peca algumas faixas que soam cansativas de ouvir, a duração dessas músicas poderiam ser um pouco mais curtas. Outro detalhe é que em algumas faixas o piano de Robert Glasper podia ser melhor executado. Mas retirando, o disco é um complemento excelente para os demais álbuns “Black Radio” que cumpre bem seu objetivo de abraçar gêneros e artistas de origem negra, mas deixa de explorar uma sonoridade que poderia ser mais impactante. O disco deixa o sentimento de afastar o público que gosta de um som mais tradicional, por ser bem diferente do Jazz Fusion que o pianista Herbie Hancock faz e produz em seus trabalhos elétricos.

 

Black Radio III

Robert Glasper


Gênero: Jazz

Lançamento: 2022

Ouça: “Why We Speak”, "Shine" e "Black Superhero"

Humor: Atmosférico, Sofisticado, Envolvente


 

NOTA DO CRÍTICO: 8,0

 

Ouça no Spotify:




















 

Veja o videoclipe da música "Shine":


 



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