Bandcamp fecha a porta para a IA e reforça compromisso com artistas reais
- Marcello Almeida
- há 16 horas
- 2 min de leitura
Pelas novas diretrizes, qualquer conteúdo “gerado total ou substancialmente por inteligência artificial” está banido

O Bandcamp começou 2026 tomando uma posição clara, e bastante simbólica, no debate sobre inteligência artificial na música. A plataforma anunciou que está oficialmente proibido o upload de faixas e áudios gerados por IA, total ou parcialmente.
A informação foi confirmada nesta terça-feira (13) por meio de um comunicado publicado no Reddit pelo suporte da empresa. Segundo o Bandcamp, a decisão nasce do desejo de preservar aquilo que sempre definiu a plataforma: a criatividade humana e a relação direta entre artistas e público.
Em palavras da própria empresa, a nova regra existe para “proteger e manter o Bandcamp como uma comunidade vibrante de pessoas reais criando músicas incríveis”. É uma declaração que vai além da burocracia e toca no cerne do que diferencia o site de outras plataformas de streaming.
Pelas novas diretrizes, qualquer conteúdo “gerado total ou substancialmente por inteligência artificial” está banido. A política também reforça algo que já vinha sendo observado: o uso de IA para imitar artistas, estilos ou identidades musicais específicas é considerado violação direta das regras, por envolver falsificação de identidade e quebra de propriedade intelectual.
O Bandcamp também orientou seus usuários a utilizarem as ferramentas de denúncia caso encontrem músicas que aparentem ter sido criadas com forte dependência de IA generativa. A plataforma reforçou ainda que se reserva o direito de remover conteúdos suspeitos a qualquer momento.
A recepção, ao menos inicialmente, tem sido bastante positiva. Em fóruns e comentários no Reddit, artistas e ouvintes celebraram a decisão. Um usuário resumiu o sentimento geral ao dizer que “o Bandcamp continua sendo o melhor lugar para publicar música”. Outro destacou que a plataforma é “a forma favorita de apoiar artistas de verdade”, justamente por fugir da lógica automatizada que domina outros serviços.
A decisão também escancara o contraste com concorrentes. O Spotify, por exemplo, vem sendo alvo de críticas constantes por permitir a proliferação de faixas criadas por IA, muitas vezes sem identificação clara. Já a Apple Music adota uma abordagem mais restrita, usando inteligência artificial sobretudo para curadoria e criação de playlists, não para gerar músicas em si.
No meio desse cenário cada vez mais confuso, o Bandcamp faz algo raro: escolhe um lado. E escolhe, deliberadamente, o lado da autoria, da imperfeição humana e da criação como gesto artístico, não como produto automatizado.
E você, acha que esse caminho é sustentável no longo prazo ou o Bandcamp está nadando contra uma maré inevitável?











