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'Apenas Corra' segue pelo drama e horror psicológico ao tratar de uma conturbada relação entre mãe e filha

'Apenas Corra' (2023) tem uma forte presença feminina apoiada por Sarah Snook para a construção da narrativa

Foto: Divulgação


Sempre existe uma curiosidade de ver um ator/uma atriz que interpretou uma série de destaque trabalhando também em longas-metragens. É o desejo de muitos cinéfilos, sobretudo quando nosso estimado artista teve uma atuação estupenda na série.

 

Séries geralmente são ótimas alavancas para deixar o ator/a atriz mais conhecido(a). Pegue como exemplo A Gata e o Rato (1985-1989) que tinha Bruce Willis em seus primeiros passos para o sucesso. Outros, ao contrário, não tiveram a mesma fama. Don Johnson não é tão conhecido pelos filmes que fez apesar da fantástica e marcante série que participou (Miami Vice, 1984-1989).

 

Como Shiv Roy, a atriz australiana Sarah Snook contribuiu para a boa reputação da série Succession (2018-2023). Mas a atriz tem até um bom currículo quando o assunto são filmes. Atuou em O Predestinado (2014), Steve Jobs (2015) e A Vingança Está na Moda (2015).

 

Apenas Corra (2023) tem uma forte presença feminina apoiada por Sarah Snook para a construção da narrativa. Na direção temos Daina Reid (O Conto da Aia), o roteiro ficou a cargo de Hannah Kent e o elenco é composto em sua maior parte por personagens femininas.


Sarah (Sarah Snook), uma médica de fertilidade, vive em certa harmonia com sua filha Mia (Lily LaTorre). Entretanto, após algum tempo, a menina começa a possuir um comportamento diferente, alguns eventos estranhos acontecem e conflitos surgem entra mãe e filha.

 

Apenas Corra
Foto: Divulgação

A trama é guiada lentamente pelo relacionamento mutável entre Sarah e Mia. Sem apelar para jorros de sangue e carnificina, alguns elementos do gênero Terror estão presentes: o vulto que surge rapidamente, o machucado que não cura, a sensação de algo à espreita, portas que batem, salas escuras, galpões escuros cheio de ferramentas cortantes, pesadelos recorrentes. Mesmo assim, melhor afirmar que Apenas Corra se sente melhor investigando o drama e o horror psicológico.



Inegável mostrar como Reid sabe trabalhar com a ambientação e os cenários para aumentar o mistério da narrativa. A própria residência suntuosa de Sarah com ventos fortes soprando constantemente nos faz questionar sobre a possível existência de algo sobrenatural na história. A estrada deserta que ela e a filha percorrem de carro também criam um clima desolador.

 

O cenário da casa onde Sarah passou sua infância igualmente merece destaque, sobretudo pela noção de isolamento, claustrofobia e algo esquecido pelo tempo (que agora precisa ser revivido). Um lugar solitário que talvez não corresponda a uma paz que as personagens procuram.

 

Snook e LaTorre se seguram em atuações marcantes. Cheia de instabilidades e surpresas, podemos esperar uma relação mãe-filha com sentimentos distintos, choques, revelações e nervos à flor da pele, bem sustentado pela atuação das atrizes, mesmo que muitas vezes algumas cenas caiam na repetição.


 

Até mesmo a cumplicidade entre mãe e filha não fica de fora: após uma discussão, Sarah sem querer machuca Mia e resolve depois se machucar a si mesma para sentir a mesma dor.

 

O filme passa a criar uma narrativa mais frenética e sufocante em sua meia hora final. Momento esse que ele começa a cutucar ainda mais assuntos como família, irmandade, maternidade, remorso, trauma, culpa, ações e consequências.

 

Em se tratando de narrativas que tem a família como tema central, o filme não é tão interessante quanto The Babadook (2014), Relíquia Macabra (2020), Tin e Tina (2023). Ele é arrastado em certo ponto, não eficaz por completo em sua narrativa e com uma trama de altos e baixos que pode ofuscar a atenção de alguns espectadores.


Apenas Corra
Foto: Divulgação

Apenas Corra traz, pelo menos, aquela ideia de que o Horror moderno trabalha cada vez mais com nossa psicologia, nos levando a refletir bastante sobre dramas familiares, eventos do passado que não conseguimos carregar e a própria índole humana.


 

Mesmo que alguns tenham respostas dos eventos antes da metade do filme, a diretora ainda consegue nocautear com um final em aberto e propenso a múltiplas interpretações (tipo de filme que muitos procuram respostas em canais do Youtube e redes sociais). Então, se essa é uma das funções do Cinema, de nos entreter ludibriando nossos sentidos e julgamentos, até que Daina Reid não errou de tudo.

 

Apenas Corra

Run Rabbit Run


Ano: 2023

Gênero: Drama, Terror, Suspense

Direção: Daina Reid

Roteiro: Hannah Kent

Elenco: Sarah Snook. Lily LaTorre. Neil Melville

País: Estados Unidos

Duração: 1 h 40 min


 

NOTA DO CRÍTICO: 6,0

 

Trailer:


 


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