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'Ainda Vivo Sonhando' é um bom laboratório experimental para Guilherme Meirelles

A característica mais forte de Guilherme é seguir por um caminho autodidata

Foto: Lígia Magalhães

Guilherme Meirelles é um músico, compositor e multi-instrumentista carioca (do bairro de Realengo, Zona Oeste do RJ). Começou a fazer composições em 2015 e três anos depois, em 2018, lançava seu primeiro álbum, “Descendo a Ladeira”. Depois disso, lançou vários EP’s. Chega agora ao segundo trabalho, “Ainda Vivo Sonhando”, com 12 faixas e, inclusive, com uma capa que traz a foto do músico quando criança.


A característica mais forte de Guilherme é seguir por um caminho autodidata, mas sem abrir mão de sua simplicidade e da aproximação apaixonada com a arte, embora tudo de forma bem caseira. Costuma gravar músicas em sua própria casa, toca todos os instrumentos e cuida das remixagens. Entretanto, o carioca explora a baixa fidelidade, deseja trazer para o ouvinte um sentimento de crueza que sempre foi parte da música que o acompanhou.



Em letras que tentam dialogar com o equilíbrio que a vida nos oferece (entre coisas ruins e boas), o músico desfia seu repertório. As desilusões, perdas e tristezas que circulavam no primeiro disco não vão embora por completo, contudo, o músico agora também fala de amizades, exalta o gosto de viver e o poder da esperança.


Exemplo é a canção ‘Frestas de Esperança’ onde Meirelles cita: ‘A maldade vai reinar ou nunca vai ter fim?/Será que é isso mesmo ou estou viajando?/Tanta coisa linda pra se observar/Mudo mais um pouco minha perspectiva’. A faixa, bem tímida e com guitarras desligadas, abre espaço para um lado bem poético e realista do compositor.

O músico faz de suas canções um laboratório experimental e apto a misturar diversos ingredientes sonoros. Reúne em menos de meia hora muita coisa que vem dos 90’s, flerta em parte com o Shoegaze e capta a herança imortal do ‘DIY’ (Do It Yourself). É capaz de criar paisagens sonoras muitas vezes pesadas com um pé no Punk (‘Assoalhos’) ou então, dá preferência pela guitarra dedilhada que é carro guia de um instrumental melódico (‘A Mulher do Fusca Verde’).



Distorções e Noise preenchem ‘Nada Não’. ‘Ciclo do Desgate’ é um Pop-Rock melódico rápido mas que gruda na primeira audição. ‘Um Sonho Para Cada Sol’ explora batidas gravadas digitalmente (outro recurso muito usado) e lembra algo que estaria próximo de Fernando Motta e Violeta de Outono.

Em entrevistas pela internet, Guilherme Meirelles diz que pretende divulgar bem o disco realizando shows, se aproximando mais de seu público e tocando junto a outros amigos músicos. Boa iniciativa. Planejando bem o futuro sem perder seu gosto pela música que pode sair do quarto de nossas casas.

 

Ainda Vivo Sonhando

Guilherme Meirelles


Lançamento: 17 e novembro de 2022

Gênero: Dream Pop, Shoegaze, Indie

Ouça: 'Ainda Vivo Sonhando', 'A Mulher do Fusca Verde', 'Sete Vidas'

Humor: Caseiro, Nostálgico, viajante


 

NOTA DO CRÍTICO: 7,0

 

Veja o vídeo oficial de ‘Ainda Vivo Sonhando’:




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