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'Acabou Chorare' uma ótima apresentação de misturas da música brasileira por Novos Baianos

“Acabou Chorare” é um dos melhores discos da história da música brasileira por evidenciar uma Bahia e um Brasil que vibra com um ecletismo musical bem profundo para o mundo

Foto: Dario Zalis / Divulgação.

 


 

2022 é um ano muito especial para o conjunto musical Novos Baianos. O grupo formado pelos fabulosos músicos Luiz Galvão, Baby do Brasil (também chamada de Baby Consuelo), Paulinho Boca de Cantor, Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Jorginho Gomes e Dadi Carvalho está celebrando os 50 anos de lançamento de “Acabou Chorare” que exalta bem a discografia incrível desses artistas. Além disso, compartilha a força nordestina e apresenta a música brasileira com ecletismo, poesia e ritmo contagiante.


Lançado em 1972, com 36 minutos de duração, ele é o 2º álbum de estúdio do grupo que saiu da cidade brasileira de Salvador para conquistar a todos com sua marcante e única sonoridade. A ideia do disco surgiu através do encontro de seus integrantes com o genial músico João Gilberto, um dos mestres da MPB e da Bossa Nova, que influenciou de maneira perpétua a vida e o som de seus integrantes. E vem dele, de acordo com vários autores, o título do disco e de uma das faixas do álbum.


Ele surgiu de uma conversa de João Gilberto com os Novos Baianos, ao contar que sua filha Bebel Gilberto (que na época era criança), misturava os idiomas português e castelhano quando morava no México com os pais. Certa vez, de acordo com Luiz Galvão, ela se esbarrou e chorou e quando foram socorrer ela disse "acabou chorare, acabou chorare".

Já a emblemática capa do disco, é uma foto de uma mesa construída por Pepeu com os mais diversos itens pessoais dos músicos.

O disco tem 10 faixas espetaculares que nos apresenta a Música Popular Brasileira com Samba, Baião, Rock e Bossa Nova em letras atemporais que retratam poesia, alegria, romantismo, crônica, criticas sociais e leveza por grudarem positivamente nas mentes e nos ouvidos do início ao fim.


“Brasil Pandeiro” é um Samba de Assis Valente e abre as portas sonoras desse álbum com uma letra que convida o mundo para sambar com um som impactante e uma letra visceral que exala a riqueza da arte e da cultura brasileira, seja na região Sul, Sudeste, Centro Oeste, Nordeste ou Norte, o Brasil é um país cheio de riquezas culturais. “Mistério do Planeta” uma outra letra visceral, dessa vez se deve ao jeito de Moraes Moreira tocar violão inspirado em João Gilberto, no belo solo de guitarra de Pepeu Gomes e no lírico cheio de personalidade, onde somos todos viajantes na vida.

 


 

“Preta Pretinha” é uma canção que conta a história real de uma frustração amorosa ocorrida com Luiz Galvão. Com o sentimento tranquilo por ser rejeitado, porque sabe que outros amores vão acontecer e dias para ver o sol nascer virão, com uma sonoridade bem impactante e envolvente que ganhou ares de Pop. “Besta é Tu” é uma ótima canção que possui um excelente samba rasgado e uma onomatopeia, dirigida para aqueles que esquecem que é preciso saber viver e mostra que a vida é cheia de coisas boas onde precisamos conhecer e aproveitar ao máximo.


“Tinindo Trincando” é um som que lembra o Forró, Baião e Rock por suas altas presenças de triângulo e guitarra na sua melodia com uma letra que aparenta inspiração no cancioneiro do ilustre Luiz Gonzaga. Onde é ideal para sair cantando e dançando com a alma renovada de paz com a voz cristalina de Baby do Brasil. “Swing de Campo Grande” uma balada que exalta o amor e o comportamento hippie que os integrantes do grupo tinham na época com um ritmo bem acelerado nos seus instrumentos.

A faixa título, como mencionada anteriormente, foi inspirada em um episódio envolvendo a Bebel Gilberto, e sua musicalidade tem assim como “Mistério do Planeta” um jeito de tocar violão do Moraes Moreira que lembra o João Gilberto, mas com letra inspirada no Tom Jobim. A canção exalta o amor e acende a esperança de dias melhores.

 


 

“A Menina Dança” mostra a força feminina e a expressividade das mulheres na música. Sempre deixando o foco na importância da igualdade. “Um Bilhete para Didi” é a única faixa instrumental. Nela há uma verdadeira salada de referências musicais com um timbre intrínseco.


“Acabou Chorare” é um dos melhores discos da história da música brasileira por evidenciar uma Bahia e um Brasil que vibra com um ecletismo musical bem profundo para o planeta. Com seu lado letrista e sonoro que imprimem notas clássicas e estonteantes, um disco que influenciou e continua influenciando diversos artistas e conquistando fãs de todas as gerações. Um trabalho conciso, lírico de alto astral, sempre carregado por letras poéticas.


Após esse disco, o conjunto lançou outros trabalhos, e seus integrantes embarcaram em outros projetos pessoais. Portanto, "Acabou Chorare" foi um marco na carreira de cada um. Onde conquistaram seu lugar de destaque na música brasileira.

 


Acabou Chorare

Novos Baianos


Lançamento: 1972

Gênero: Rock, MPB, Samba, Baião, Bossa Nova

Ouça: Brasil Pandeiro, Mistério do Planeta, Tinindo Trincando, Preta Pretinha


 

NOTA DO CRÍTICO: 10

 


 

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