10 álbuns que marcaram meu 2021

Atualizado: 28 de dez. de 2021



(Sem ordem de preferência. Só posso dizer que estas obras foram como 'amigos' que me ajudaram bastante a chegar até aqui, tornando a longa, complexa e tortuosa estrada mais suportável de percorrer.)

 

Adele- 30 :

A grande estrela com um belo retorno de brilho colossal, trazendo momentos que lembram a fase áurea de ícones imortais como Frank Sinatra e Aretha Franklin, flertando com o jazz e ao mesmo tempo propondo um passeio pela antiga Hollywood. 'Easy On Me ' chegou mostrando a que veio e porque o trono do pop atual ainda pertence à mesma rainha nesses últimos 10 anos. Um luxo.




 

Silk Sonic - An Evening with Silk Sonic:

Celebração old school com requinte e muita classe. 'Leave the Door Open' é o hit do ano, tomou conta das rádios, preencheu muitas playlists e, com certeza, foi a trilha para muitos flertes apaixonados por aí. O balanço irresistível e cheio de charme de 'Skate' mostrou também - lindamente - todo o respeito pela melhor black music setentista. Marvin Gaye e James Brown aprovariam essa festa. Bootsy Collins e Thundercat foram convidados e abrilhantaram ainda mais a célebre investida de Bruno Mars e Anderson .Paak.




 

Hans Zimmer - Dune (Original Motion Picture Soundtrack):

Um dos filmes do ano, a tão aguardada e definitiva adaptação cinematográfica de um dos maiores romances de ficção científica de todos os tempos não teria o mesmo impacto sem a sonoridade arrebatadora, elegantemente assombrosa e envolvente da magnífica trilha de Hans Zimmer. Mesmo com toda a singularidade da experiência vivida em uma boa sala de cinema, o prazer da audição do álbum não se dissipa e as sensações maravilhosas vividas com as inesquecíveis imagens na telona se perpetuam aqui nessa viagem de poder musical capaz de preencher o mais vasto deserto emocional.




 

Floating Points, Pharoah Sanders & The London Symphony Orchestra - Promises:

Mais do que um daqueles encontros musicais considerados - até então - inusitados, que se tornam históricos, clássicos desde a sua concepção e são definidos pela perfeição que é glorificada pela junção peculiar e grandiosa de modernidade e tradição, refletida na disparidade geracional relacionada aos gênios envolvidos na realização do processo (cada um como respeitado e notável expoente de seu gênero musical), 'Promises' é o álbum necessário para todos nós que buscamos, impreterivelmente, nesses tempos indefinidos e temerosos, o alento ímpar proporcionado apenas pela grandeza atemporal de uma obra-prima desse tamanho e maestria. Uma beleza que emerge fragmentada em vários movimentos que compõem a totalidade de um poderoso registro que sempre será lembrado com louvor e venerado na história da música. Descomunal e arrebatador, com todas as características que se associam aos grandes, revolucionários e definidores álbuns de todos os tempos, como, por exemplo, Kind of Blue (Miles Davis), Low (David Bowie) e Kid A (Radiohead).




 

Deafheaven - Infinite Granite:

As instigantes melodias etéreas e camadas shoegaze/dream pop, com muitas passagens sonoras cedidas pelo pós-punk e pelo pós-rock, soterraram de vez a barulheira e gritaria do metal extremo. E quem disse que George Clarke (em alguns momentos chega a lembrar Morrissey) não tem uma linda voz ? 'Mombasa', 'Great Mass of Color' e 'In Blur' provam que eles se renderam aqui às sedutoras atmosferas oriundas da influente magia sonora de Slowdive, Cocteau Twins e Catherine Wheel, se livrando das sombras ruidosas, tenebrosas e ensurdecedoras do Mayhem e Behemoth. Um surpreendente acerto que não mereceu passar despercebido.




 

Wolf Alice - Blue Weekend:

Ao mesmo tempo em que estamos sendo contemplados com algo novo, com aquela cara do que o indie moderno pode apresentar de maior qualidade, temos também a impressão de estar admirando uma banda clássica, madura, segura, ousada e confiante. Pode soar, em parte dos memoráveis momentos, como o Fleetwood Mac inserido em pleno 2021 flertando numa jam com o alternativo noventista. 'The Last Man on Earth' emula perfeitamente um encontro com Roger Waters e David Bowie. Discaço.




 

The War on Drugs - I Don’t Live Here Anymore:

Já nas graças e ouvidos, há um bom tempo, tanto dos indies descolados como também dos muitos nostálgicos amantes do classic rock, Adam Granduciel e parceiros surpreendem com mais um álbum grandioso, belo e inspirado, com canções que confirmam a presença da banda no topo do melhor rock feito na atualidade, sem esquecer de reverenciar mestres gigantescos como Neil Young, Bruce Springsteen e, claro, Bob Dylan.




 

Arlo Parks - Collapsed in Sunbeams:

A menina londrina iluminada de - então - 20 anos (21 agora) nos brindou já no começo do ano com este notável debut, em que a graça, a delicadeza e a força de canções como 'Black Dog', 'Eugene' e 'Hope' evidenciam o início de um percurso que - tudo leva a crer - ainda trará mais primorosas obras. Parks ama escrever, é apaixonada por literatura e as letras que emanam de sua doce voz trazem muito do que é vivenciado por ela e pelos jovens de sua geração. O clima das canções se constitui de leveza, bastante introspecção, uma suavidade aconchegante. Seu belo álbum de estreia a diferencia no cenário atual como uma grata e mais que bem-vinda novidade britânica. Um talento que encantou. Billie Eilish e Michelle Obama confirmam.




 

Japanese Breakfast - Jubilee:

A norte-americana de ascendência sul-coreana Michelle Zauner vai firmando cada vez mais seu lugar no mapa indie-pop contemporâneo à frente de seu projeto intitulado Japanese Breakfast. A irresistível (perfeita para as pistas, rádios e hit parade) 'Be Sweet' é uma das grandes músicas do ano.




 

Nick Cave & Warren Ellis - Carnage:

Outro registro de profunda beleza que veio para agigantar uma discografia já um tanto marcada pela genialidade hipnótica a que nos acostumamos. A voz poderosa inconfundível do incansável e inquieto poeta das sombras está sempre marcando trabalhos densos, sublimes e repletos daquela atmosfera sonora que une perfeitamente sensibilidade, melancolia, dor, reflexões e urgência. Seja solo, com a banda The Bad Seeds ou , como aqui, acompanhado do fiel parceiro. Cave e Ellis direcionam sua arte de maneira magistral, concebendo aquilo que podemos chamar verdadeiramente de música com alma e para a alma. Impossível não se deixar levar pela mais genuína emoção com a tocante 'Albuquerque', daquelas joias mais preciosas e lindas cantadas por um dos maiores artistas do nosso tempo.




 

Sobre Marlons Silva

Sempre que pode ocupa seu tempo com o som de Jorge Ben Jor, Carole King e David Bowie, os livros do Irvine Welsh, os filmes do Ingmar Bergman e umas brincadeiras com a gatinha Lilly. Gosta muito também de pedalar. Acha que sem a música e a arte em geral, a vida seria um erro e também uma piada ruim muito sem graça. Enquanto aguarda ansiosamente uma temporada nova de Black Mirror, está sempre sendo apresentado a algo do universo dos animes pela filha Stella.

marlonssilva1701@gmail.com

 

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